Artigo: Quanto custa (vale) a segurança privada?

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*Jeferson Nazário, presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist)

 Recentemente, tive o prazer de ser o moderador de um painel da ISC Digital Experience no qual debati com importantes players do mercado de segurança privada sobre as soluções e tecnologias que auxiliam o retorno e a recuperação da economia ao novo normal. Enquanto abordávamos o tema, uma pergunta foi recorrente: quanto custa o serviço de segurança?

Antes de mais nada, é preciso compreender que a atividade de segurança privada não é um serviço imutável, não pode ser comparada e colocada no mesmo bojo de compras para material de escritório ou locação de carros, por exemplo. Nesses dois casos, o produto/serviço contratado não trata de mão de obra, tampouco está relacionado a proteção de vidas.

Então, a primeira coisa que deve ser feita ao se discutir o tema é trocar a pergunta. A indagação correta é: quanto vale a sua vida, a vida dos seus familiares e dos seus clientes? Sim, qualquer debate sério sobre a precificação da atividade deve começar por esse tópico. Segurança privada não é custo/gasto é investimento.

A atividade, ao ser complementar a segurança pública, tem como principal objetivo a prevenção, evitar que algo de pior possa acontecer. Indústrias, comércios, instituições de ensino particulares que contratam os serviços especializados tem redução de danos e perdas, além de atrair clientes que se sentem seguros ao optar por aquele estabelecimento. A contratação de seguros se torna mais barata quando existe a segurança privada.

O mesmo ocorre com transportadoras que, ao optarem pela escolta armada, tem a garantia que a mercadoria chegará ao destino sem intercorrências. O serviço é tão importante que, durante a pandemia, houve aumento da demanda devido ao transporte de produtos essenciais como equipamentos hospitalares, respiradores, remédios e insumos.

Com os bancos, obrigados por lei a contratar a segurança privada, não é diferente. A manutenção do funcionamento das agências e dos postos de autoatendimento só é possível com o trabalho sério das nossas empresas, que garantem a proteção de funcionários e clientes.

As empresas de transporte de valores há anos deixaram de ser “meras” transportadoras de dinheiro em espécie. São elas que abastecem os milhares de caixas eletrônicos espalhados por todo Brasil e fazem o trabalho de tesouraria das instituições financeiras.

É impossível não imaginar o caos que seria para os bancos, principalmente os públicos, durante a pandemia, com a grande necessidade da população de sacar em dinheiro vivo proveniente dos benefícios e o auxílio emergencial oferecidos pelo governo, se não existissem as transportadoras de valores. Toda a operação contou com grande ajuda das empresas.

Nos órgãos públicos, incluindo escolas, hospitais, bancos e estatais, a vigilância patrimonial é primordial, uma vez que proporciona segurança aos servidores e ao público. A presença das nossas empresas libera o efetivo da segurança pública para atuar no combate direto à criminalidade. Por isso somos complementares.

Todos os elementos citados corroboram a importância de não se enxergar a atividade como um custo, onde o pensamento principal é sempre o de contratar com o preço mais baixo.

Infelizmente, essa cultura se espalhou pelas licitações públicas nos últimos anos. Contratações por meio de pregões eletrônicos e envelopes fechados focam única e exclusivamente no preço. Não se consideram aspectos fundamentais como o histórico das empresas, o treinamento e cursos de capacitação aplicado aos vigilantes, a tecnologia que será utilizada como complemento ao trabalho humano. Enfim, precificam o serviço e a importância da vida das pessoas por baixo.

Essa prática é extremamente danosa ao erário público e para a população. Licitações direcionadas apenas ao preço abrem espaço para empresas de má qualidade, duvidosas, e, em alguns casos até clandestinas. Quando as vencedoras, após assumirem o contrato, percebem que não é possível cumprir o acordado, quase sempre terminam em duas situações: 1. Pedem para romper o vínculo devido ao prejuízo, já que ofereceram o serviço sem considerar, sequer, o custo operacional; 2. Vão à falência e desaparecem.

Em ambas as situações o prejuízo é da administração pública, que se vê diante de uma situação emergencial, sem contar o passivo trabalhista e as ações na justiça por parte dos trabalhadores.

Então, qual seria a melhor equação? Como empresário sei que preço é importante, mas o contratante precisa fazer o cálculo a longo prazo. Pensar em quanto ele irá economizar com a redução de riscos e crises que podem ocorrer devido a um serviço mal prestado. Ter a noção do quanto um vigilante bem preparado, integrado a tecnologia de ponta, é um diferencial para o negócio. E o mais importante, sempre se lembrar que a vida humana não tem preço, incluindo a dele próprio.

Por isso, como disse antes, a pergunta nunca deve ser quanto custa, mas sim quanto vale!

 

 

 

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