Em meio ao aumento da criminalidade no Brasil, segmento de segurança privada perde postos de trabalho pelo terceiro ano consecutivo

3 de Novembro de 2017 às 11:19

Desde 2015, mais de 70 mil vagas foram fechadas. Número contribui para o crescimento da sensação de insegurança da população

“Uma Bomba Atômica por ano” assim o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública classifica o número de assassinatos cometidos no Brasil em 2016. Ao todo, 61,5 mil cidadãos perderam a vida de forma violenta, por homicídio doloso. Um aumento de 3,8% em relação a 2015.  De acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançado na última segunda-feira (30), sete pessoas foram assassinadas por hora no ano passado.

Quase três mil pessoas foram mortas em latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Mais de um milhão (1.066.674) de veículos foram furtados entre 2015 e 2016.  Outro dado que preocupa é o de que os investimentos de Municípios, Estados e União em políticas públicas de segurança caíram 2,6%.

Diante desse cenário, a sensação de impotência da população é constante. E o sentimento cresce com declarações como a dada pelo Ministro da Justiça, Torquato Jardim. Ao analisar a situação do estado do Rio de Janeiro, que enfrenta uma forte crise econômica e de segurança, o ministro afirmou que comandantes de Batalhões da Polícia Militar são sócios do crime organizado, segundo noticiou o portal UOL. Apesar do governo do Rio e da PM refutarem a afirmação, o estrago na confiança dos cidadãos já estava feito.

Como a sensação de insegurança é diária, as pessoas têm medo de fazer ações cotidianas, como andar na rua. Mas, os números elevados da violência e os problemas da segurança pública não são os únicos fatores que contribuem para o aumento do medo, como alerta o presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), Jeferson Furlan Nazário.

“Desde 2015, mais de 70 mil postos de trabalho do segmento de segurança privado foram fechados. É óbvio que isso contribui para o aumento da sensação de insegurança e, em alguns casos, para o aumento da criminalidade. O bandido tem um estímulo extra para agir quando chega a um local e não encontra nem vigilantes, nem policiais”, afirma.

Nazário explica ainda que uma das funções da segurança privada é atuar de forma complementar a segurança pública no combate à criminalidade. Os vigilantes fazem a segurança preventiva de empresas, indústria, comércios, bancos e condomínios, órgãos públicos, escolas e hospitais, o que libera o efetivo policial para atuar nas ruas.

“É uma parceria que aumenta substancialmente a segurança e sensação de proteção da população. O cidadão se sente muito mais tranquilo ao frequentar lugares protegidos pelas empresas de segurança privada”, argumenta o presidente da Fenavist.

Jeferson Nazário ressalta que a perda de postos de trabalho em meio ao aumento da criminalidade no País evidencia que, diferentemente do que muitas pessoas imaginam o crescimento da segurança privada não está atrelado a violência, mas sim a uma economia forte. Para se ter uma ideia, entre janeiro de 2015 e setembro de 2017, 72.968 vagas foram fechadas, de acordo com dados do Ministério do Trabalho que foram analisados pelo Departamento de Estatística da Federação.

“Esse número corresponde a mais de 10% do número de vigilantes contratados por nossas empresas. Tanto ele quanto as estatísticas evidenciais pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública deixam claro que a segurança privada, assim como todas as outras atividades, depende de uma economia forte para crescer”, conclui Nazário.

Ascom/Fenavist