

Por: Jeferson Nazário, Presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist)
A Segurança Privada exerce um papel cada vez mais estratégico no Brasil. Presente em empresas, instituições financeiras, condomínios, indústrias, eventos e no transporte de valores, ela complementa a proteção de pessoas e patrimônios e contribui para a sensação de segurança da sociedade. No entanto, um problema histórico continua ameaçando o desenvolvimento do setor: a informalidade.
Dados da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) revelam um cenário preocupante. Para cada profissional que atua regularmente no setor, existem aproximadamente três trabalhadores exercendo atividades de segurança de forma clandestina. Enquanto cerca de 500 mil profissionais estão empregados formalmente, estima-se que mais de 1,5 milhão de pessoas atuem sem a devida regularização.
O principal impacto dessa realidade não é apenas econômico ou concorrencial. Trata-se, sobretudo, de uma questão de segurança pública e de proteção à sociedade. A atividade de segurança privada é regulamentada por legislação específica e fiscalizada pela Polícia Federal. Para exercer a profissão, o vigilante precisa passar por formação especializada, reciclagens periódicas e atender a rigorosos critérios de qualificação. Da mesma forma, as empresas precisam ser autorizadas e fiscalizadas pelos órgãos competentes.
Quando a atividade é exercida de forma clandestina, essas exigências deixam de existir. O resultado é a atuação de profissionais sem treinamento adequado, sem capacitação técnica e sem os protocolos necessários para lidar com situações de risco. Saliento que isso expõe não apenas os próprios trabalhadores, mas também clientes e cidadãos.
Outro aspecto relevante é o impacto sobre as empresas que atuam dentro da legalidade. Enquanto o setor formal investe em treinamento, tecnologia, encargos trabalhistas e conformidade regulatória, a informalidade cria um ambiente de concorrência desleal que dificulta investimentos e compromete a sustentabilidade das empresas regulares.
Portanto, o combate à clandestinidade exige esforço conjunto. É fundamental fortalecer a fiscalização, ampliar a conscientização dos contratantes e valorizar as empresas e profissionais que cumprem a legislação. Segurança privada não pode ser tratada como uma atividade improvisada. Ela exige preparo, responsabilidade e compromisso com padrões técnicos reconhecidos.
Reforço que defender a formalidade é defender a qualidade dos serviços, a valorização dos trabalhadores e a proteção da sociedade. Esse é um compromisso permanente da Fenavist e de todo o setor de Segurança Privada legalmente constituído.